Thursday, August 31, 2006


[tela de René Magritte]

Un endroit tourmenté hante la douleur du poète
renfermer sur lui-même, renfermer dans son monde
où les ombres et la lumière se côtoient
pour invoquer le silence des forces éternelles.

C’est le langage des prophètes, c’est la voix de la nuit
qui se manifeste dans son cœur : rêveur et solitaire.

Ce sont ses larmes qui accusent sa passion acharnée
nourrissant la souffrance de son âme
afin de lui éclaircir les horizons du Levant,
là-bas, très loin, tout proche, au seuil de l’au-delà.

*

Revêtus de haillons les mots se bousculent
à chaque tournant un faux éclat
à chaque mouvement une fausse vertu
engagés avec l’esprit du miroir transparent.

La main les guide, la plume les tisse
et en vain ils cheminent vers le sillage de l’Orient
reflet âpre d’une réalité interdite
pourpre dans ses lignes désaxés,
où l’essence du Réel est un voile ; à jamais recouvert.

Puissent-ils un jour fleurir, puissent-ils répartir la lumière !


L’azur en soi au-delà de soi


Le berger de l’âme se questionne
Il sent en soi l’azur d’un au-delà
Qui germe en lui le bleu des champs
Et par au-delà d’un soi mal présent
Se questionne si tout n’est que néant


Le berger s’accommode peu d’un bleu fade
Et recherche les trésors du doux saphir
Car seul sa voix peut scintiller
L’azur d’un moi bien au-delà de soi

Wednesday, August 30, 2006

Eu próprio o Outro



(falso espelho - René Magritte)

Já nem sei como aconteceu! Nem do estado do tempo mantive a impressão. Acordei, como se acorda em mais um dia no longo e penoso ciclo do vai e vem existencial. Ao início, não tinha reparado. As ramelas obstruíam o meu sentido mais apurado, a saber, a visão. Lavei a cara com água fria, pois só o frio consegue distrair o calor acumulado ao longo de uma noite cálida, mas sem sonhos.
Foi quando me vi no espelho. Sim, nesse objecto que diariamente pretende lembrar os meus olhos aquele que supostamente sou. Foi nesse preciso momento que a coisa aconteceu. Primeiro, fiquei assustado. O frio da água trespassara-se sorrateiramente pela soleira da minha alma, agora baldia e pálida como a face da lua. O meu rosto já não me pertencia! Conseguem imaginar?! Quando sorria, o espelho respondia-me com um ar pesado e severo. E quando esboçava um ar de enterro, o espelho sorria-me como uma criança diante dum presente. O mundo tinha acordado ao contrário! Nada do que fazia era-me retribuído. Comecei logo a pensar nas implicações que a situação augurava para o resto do dia e, quiçá, da vida. Quem me diz que os outros verão realmente quem está diante deles - pensei. Irão reconhecer-me? Serão eles capazes de ver que não sou eu?, mas um outro eu de mim mesmo, um fac-simile ao contrário. Se o espelho me devolve uma imagem ao contrário, quem me assegura que os meus sentimentos se mantém iguais a si próprios?, e não invertidos. A cabeça começava a latejar uma sinfonia angustiante. Aquele não és tu, mas vais ter de fingir que és tu! – dizia-me uma voz. Agora sim, agora vais deixar de representar, agora é que vais libertar o teu eu verdadeiro – afirmava outra voz, com convicção. Há males que vêm por bem. Nada acontece por acaso. Não tenhas medo. Sê como és. Não ligues ao que os outros pensam. Sê tu próprio! Sorri. Aconteceu. – diziam outras vozes em cacofonia. Ser eu? Mas acaso não é o que diariamente sou? Okay, não digo tudo o que penso. Tenho de obedecer ao politicamente correcto, pois sou um animal social, certo?! Mas daí a não ser eu, e hoje o ser por ter acordado ao contrário. Algo está errado. Será do espelho? Ou dos sentimentos que estou a espelhar? Porquê hoje e não ontem? Volto a olhar para o espelho, fixamente. Quem és tu?, pergunto incrédulo. Eu sou mesmo tu, reponde o espelho – e sorri, maliciosamente. Furioso, agarro no secadouro e arremesso-o com vigor contra a minha imagem invertida. O espelho estala em mil pedaços! Os cacos juncam o chão da casa de banho. Sinto-me aliviado. Ele já não me olha. Olho para o chão, e o rubor cora o meu semblante. Já não é um outro eu a fitar-me maliciosamente. Agora, são dezenas de eus!

Monday, August 28, 2006

traz a espera das pedras dentro de ti
traz o lume do astrolábio no coração

alimenta a Noite e deixa-a fulgir
o fulgor da eterna Primavera
a cadência do sopro do pão essencial

uma flor dos tempos ancestrais floresce
sempre que o teu olhar se cega para o dia

*

sempiterna essa música inaudível
o silêncio rasa os prados da melancolia
em busca de um ouvido para selar a incompreensão

*

às vezes a imagem deixa transparecer
o reflexo de um deus embutido na matéria

às vezes é luz, outras vezes negrume
a tactear a esperança de um sorriso carente
uma mão aberta para o passado, o devir em mutação



(a máscara da dor - Colette Cohen-Abbate)




dobrou a dor como se dobra um lençol
arrumou-a numa gaveta perdida da sua memória
acreditou no seu acto como se acredita em estrelas
mas a dor voltou porque nunca a tinha abandonado

*

a insónia ancora os seus pés na dor
porque a vigília permite-lhe sentir o parto
que as trevas querem transformar em luz

Saturday, August 26, 2006


(imagem de Jacek Jerka)



nas delongas do vazio da luz
os olhos perdem-se no horizonte das trevas
sempre em busca

de um sol, de uma lua, uma estrela cintilante

as ânforas da esperança enchem-se de memórias
ainda por vir, ainda que não venham

sempre a corrigir as linhas de um sonho transeunte


e no final um clarim de seda enche os seus pulmões
para tocar no dorso da espera a certeza da liberdade

*

é preciso viajar nas fímbrias do símbolo
ir ao encontro daquele que não é nomeável

o que tem nome está preso do outro
o que não tem possui a real identidade
o que vagueia sem vaguear
o que está não estando ainda que ausente

é preciso galgar a verve do indeterminado
ir onde os sentidos morrem para regressar transfigurado

*

vago, incerto, o momento do naufrágio subtil
dúctil aragem do sopro cambiante
a lavrar a dor daquele que já nada espera

somente o sal da lágrima persiste
somente o silêncio fulgurante da manhã estival

*

estornar o destino?
rectificar um acto roubado ao momento?

talvez esperar pela sabedoria das pedras
que não padecem dos estigmas da humanidade

*

pediste-me asas de cera
derreti os meus sonhos para poderes voar


D’où me vient cette solitude si lointaine ?
qui brille comme une lampe des temps ensevelis
une lumière pâle ôtée de ses racines
une lueur se fanant dans l’aube de tout espoir.

Est-ce le vœux d’un dieu oublier par les miens ?
où une âme errant dans les limbes de mon être ?

Je cherche, j’écoute, j’apprends malgré mon ignorance
et je sais que ce corps, sans peau, revêtue de tristesse
n’est que le symptôme d’un rêve égaré, un paradis perdu ; mais non oublié !

Saturday, August 19, 2006



era cego e acreditava ver
via sem saber que era cego

um dia roubaram-lhe os seus olhos
o mundo desabou por momentos
luz e trevas deixaram de coexistir

o último dia da sua vida passou a ser o primeiro
aprendera a ver com olhos que nada vêem



*
matreira e inefável ela espia
os movimentos
as paragens
do bater de asas das formas

segurar? ninguém a segura
de luz incusa são feitos os seus passos
de aura desbotada o seu toque arredio

onde vai? onde mora renascida?
numa orla, desprovida de substância

lura dentro de outra lura algo suspira
é ela, a parir; é ela, a desunir-se
nasce vezes sem contas para morrer
morre outras tantas para voltar a fulgir

há brilho, sim, há brilho na Sombra luzidia


*

umbrosa é a luz, a verdadeira luz
um nimbo de prata
um fulgor de azul
umbrosa a mão que toca a brasa
a brasa que é nimbo a fulgir prata
a prata que se estilhaça com o azul da luz

*
não entendem!
nunca entenderão…
por que haveriam de entender?

aqueles que sabem sentem
aqueles que sentem sabem

os atavios da linguagem dissipam-se
no silêncio arenoso do coração
o tempo do símbolo prossegue o seu esplendor
uma borboleta levanta voo – é o âmago a respirar

*

sábia a árvore que fala
a linguagem das raízes
louco o Poeta que sonha
a linguagem das primícias

*

o amor? o que é o amor?
uma sinfonia de dois instrumentos?
ou o silêncio reunido com a sua própria boca?!...

*

de luas e estrelas o sonho se embriaga
de poentes e levantes a mágoa se afeiçoa
e eu? de que substâncias estugo o meu pulsar
qual ponte por mim aguarda? antes de me estiolar

quero luas e estrelas e poentes e levantes
quero a ubiquidade da fome e da sede
quero a transparência da sombra e da luz
quero! mas não me digas como - mostra-me!

*

ouvi um choro soturno definhar-se na bruma da noite
parecia um recém-nascido
uma voz quente a implorar a lembrança dos olhos

ainda hoje ouço esse choro deambular pela escuridão
é um anjo muito antigo
esquecido
como tudo o que realmente importa – oculto ao olhar

*

Friday, August 04, 2006


(Turner - Sunrise)

não digas mais nada
o silêncio será a tua voz
a dor a minha chama renascida

algures, entre a dor e a esperança
plantarei uma rosa cristalina
em tua honra, porque sempre te honrarei

agora vai, não olhes mais para trás
o presente foi-se, o futuro ainda é uma flor por acordar

Sunday, July 30, 2006



Não banalizes o sentimento de outrem
O respeito é a mais pequena das flores
Por isso requer uma rega mais dedicada

*
não me eras destinada disse o destino
respondi-lhe que de lágrimas percebo eu

*
não partas, por favor
não vires o teu olhar à saudade de amar
demora-te a observar: inspira-me para melhor me respirares

*
o que sentes ao acordar de manhã?
um sufoco? uma ânsia desesperada?

uma mão leve afaga a tua dor
um dedo de veludo conta-lhe estórias de embalar
mas teu coração recusa-se a crer, recusa-se
a receber o murmúrio das estrelas, ondas de calor
que se afastam da caligem para ancorar no peito da eternidade

Saturday, July 29, 2006

um dia murmurei ao vento o teu nome e contei-lhe
a estória de um rapaz apaixonado por uma rapariga
a estória de uma rapariga apaixonada pela sua tristeza
ao que o vento me respondeu:

leve como a manhã o coração se levanta
do sono das estrelas que a noite vigia
um abraço de luz refunde-se no interior da lembrança
ainda que a dor reine de norte a sul, a bonança impera nos caminhos da luz

colei um búzio junto às tuas recordações
falou-lhes de sonho e de esperança a quererem desabrochar

Friday, July 28, 2006

eu sei que tu não sabes que eu sei que pensas saber
eu sei que tu não ouves o que eu sei ouvir sem saberes
pára, não me ouças, é a tua tristeza a querer desaparecer

não queiras queimar a tua respiração na minha pele
um sussurro de giz desenha a minha vontade no teu corpo

para onde vão os teus lábios?
que me sorvem como raiz de água
e se insinuam no peito à madrugada

não me calo, não me posso calar
é a minha boca a querer dançar nos teus lábios

prefiro que não me olhes
prefiro que não sejas sol a marulhar
ou lua a arfar os raios da noite

prefiro ser um suspiro
na tua boca

a transportar-me para longe

na tua pele a lua tece o orvalho matutino
uma mão cheia de luz te pega
te rodopia lentamente para avistares o sonho
e ali, tão distante, mas tão perto, te observo

ali, tão longinquamente perto, te respiro
até sentir crescer em ti o meu coração

Thursday, July 27, 2006

A estrela que se sentia só - parte VI



VI

- Onde estamos? – perguntou Samara, cujos olhos e coração brilhavam de curiosidade.

- Estamos no Átrio dos Caminhos Possíveis. Este é o local onde tudo acontece – respondeu Hadi com a sua cauda a abanar.

Samara e Hadi encontravam-se numa espécie de pátio com três grandes portas. Duas das três portas estavam abertas e uma mantinha-se fechada. Uma bruma misteriosa envolvia as portas abertas e não permitia ver o que se encontrava por detrás das mesmas. Todo o sítio estava empregando de um ar misterioso e sagrado. Parecia que estavam no centro do mundo, como o centro de uma teia de aranha, onde tudo converge ao seu encontro. Junto às portas erguiam-se duas bétulas de tamanho imponente. Os ramos das árvores recobriam os lintéis, parte superior das portas, curvando-se numa espécie de abraço fraterno. A paisagem que a menina e o anjo-gato tinham à sua frente era, de facto, muito bonita. Tanto as portas, como as árvores, pareciam reluzir uma vida muito diferente daquela que nós conhecemos. A harmonia dos céus florescia naquele local e todos os sonhos do mundo vinham beber a serenidade daquele espaço.

- O que está por detrás das portas? – interrogou Samara, com a sua curiosidade a crescer de minuto em minuto – Diz-me, Hadi, o que é este Átrio dos Caminhos Possíveis?

- Vai ser difícil eu te explicar isto de maneira a que entendas toda a importância deste local, mas vou tentar. As três portas que tu vês são as entradas que dão para três jardins. Do teu lado direito tens o Jardim das Flores Eternas. Ao centro, a porta que se mantém fechada, dá acesso ao Jardim do Esquecimento, onde nem eu tenho autorização para entrar. E, por fim, do teu lado esquerdo, tens o Jardim das Estrelas, o qual iremos brevemente atravessar.

- Por que é que a porta do Jardim do Esquecimento se mantém fechada? Tu, que és um anjo, devias poder passar por todas as portas, não achas?

Hadi sorriu amavelmente para Samara e, sem avisar, saltou para cima do ombro direito da menina, quase fazendo-a cair. Felizmente, ela conseguiu segura-lo sem se desequilibrar. O anjo-gato ainda teve direito a umas festinhas dadas com muito carinho.

- Nós, os anjos – sussurrou ao ouvido de Samara – não temos acesso a todo o conhecimento. Nós sabemos muitas coisas sobre como a vida funciona, a tua e a de todos os seres vivos na Terra, mas há coisas que nos são veladas. Um dia, talvez, se eu o merecer, terei direito a entrar pela porta do Jardim do Esquecimento. Dizem anjos muito respeitados na nossa comunidade, e que muito têm reflectido sobre o assunto, que este jardim é o jardim do início de tudo. Dizem que esquecer é renascer. Lamento não te poder responder melhor do que isto à tua pergunta, mas deixo-te imaginar uma resposta, a tua resposta.

- E os outros dois jardins, para que servem?

- O Jardim das Flores Eternas é um jardim sem fim, onde cada flor representa uma vida já nascida ou por nascer. Digamos que cada alma tem direito a ser representada por uma flor, sem excepções, quer sejas bom ou mau. Nesse jardim não se fazem distinções entre as flores. São todas diferentes. A única coisa que as liga é a terra onde estão plantadas. É ela que lhes fornece o alimento para crescerem, a água, se preferires. Mas, como deves imaginar, aqui, a vida não funciona bem da mesma forma que na Terra, mesmo sendo muito semelhante.

- Queres tu dizer que algures naquele jardim sem fim, povoado de milhões e milhões de flores, está a minha flor, eu?

Hadi sorriu. O anjo-gato tinha engraçado com a sua protegida. Via todo o seu interesse nos grandes mistérios da Vida e isso animava-o. Já tinha sentido que Samara era muito grande por dentro e ajudá-la a desenvolver ainda mais o seu interior era uma honra à qual ele não queria falhar.

- Sim, tu és uma flor e estás naquele jardim. Mas também eu e a tua mãe estamos representados por uma flor no mesmo jardim.

- A minha mãe? – perguntou surpreendida Samara – Mas, a minha mãe… morreu…

- Então Samara? Tu sabes perfeitamente que ainda está viva. É claro que já não está contigo fisicamente. É claro que os teus olhos já não a podem ver. É claro, tudo isso! Mas também é claro que tens conversado muito com ela. É claro, também, que a sentes contigo, no teu coração, mesmo não a vendo. E também é claro que a morte não é um fim em si, mas uma mudança, como uma lagarta que se transforma numa bela borboleta. Eu sei que já sabes isso tudo, mas a tua tristeza impede-te de aceitar o que dentro de ti sentes há quase um ano.

Samara esgalhou um sorriso e deu um beijinho ao seu amigo Hadi. Uma cumplicidade muito bonita estava a crescer entre os dois. Tal como os gatos que conheces, também Hadi gosta de mimos e nunca se priva deles. Quanto mais melhor. O coração aquece sempre com a ternura que lhe é ofertada. E quem não gosta de miminhos?

- E a nossa porta, a que nos vai levar para o Jardim das Estrelas, o que é ao certo?

- O Jardim das Estrelas é o jardim que alberga todas as estrelas do universo. E no vasto universo existe uma estrela que te quero apresentar, pois todos nós temos uma estrela, a nossa estrela. A tua estrela precisa de ti, bem como tu precisas dela. Esta é a porta que nos pode levar a qualquer sitio do mundo num piscar de olhos. É por aqui que passo, quando as minhas viagens ficam muito afastadas do planeta Terra. Anda, vamos entrar…

- Não se vê nada, Hadi. A bruma não me deixa ver nada!

- Não tenhas medo, entra! A bruma vai dissipar-se.

Hadi e Samara atravessaram em conjunto a porta do Jardim das Estrelas e pararam numa espécie de pedestal que se erguia de um vazio sem horizonte avistável. À sua frente, milhões de estrelas estavam penduradas, como bolas de natal que se colocam nos pinheiros. A paisagem era maravilhosa. Imagina-te no espaço, envolvido por milhares de estrelas. Seria lindo, não seria?

Samara sentira lentamente os seus pés descolarem do pedestal e o seu corpo girar para uma direcção ainda desconhecida. Com os seus braços fingia ser uma águia cósmica, uma águia conhecedora de todos os recantos do céu, uma águia capaz de atravessar todo o universo sem qualquer dificuldade. Uma alegria intensa e um sentimento de liberdade animavam as suas asas imaginadas. Hadi também já se encontrava a flutuar no vazio. Com as suas mãos, a menina agarrou no rabo do anjo-gato e deixou-se guiar pelo seu amigo e pelo brilho das estrelas. A viagem tinha começado. Os dois amigos encontravam-se a caminho da mais jovem das estrelas do céu.

Wednesday, July 26, 2006

O choro dos anjos



Soturnamente, os anjos regressam a casa
depois de mil lágrimas abafadas pela noite
daqueles que não acreditam em anjos
nem em guias de luz vindos de além.
São dores afiadas como sabres samurais
que seminam os sonhos destes seres
que ao nosso lado tudo acompanham.
Pudessem eles transmutar o homem em criança,
reavivar a esperança duma crença divina
talvez então o coração abraçasse a paz
e os canhões reluzentes disparassem alegria.

P.S - este poema foi escrito na altura da guerra do Irak, mas hoje, infelizmente, continua a fazer sentido...