
[Léon Frédéric: The Lake The Sleeping Water 1897-98]
nas asas da chama anelar
o momento absorve a vontade clandestina
de ser tempo sem rosto
sem olhos
sem nada que a prenda à eternidade
ainda desfeito
eternamente por recompor
envolve seu nada de luminescências túmidas
em busca da primeira nota
primeira forma de uma melopeia ancestral
esquecido pelo longínquo distante
que arde seu desespero branco
com cânticos de outrora
com sonhos de areia e de vento
que somente as estrelas conseguem intuir
arde um desejo
liquido e transparente
é o movimento do espelho
a entoar o silêncio da suprema vontade
uma lágrima âmbar a nidificar na porosidade da luz
















